
(Um acompanhamento musical para o post)
Em 73 AEC, Espártaco se
rebelava contra Roma, junto com milhares de outros escravos, procurando reaver
a liberdade que lhes fora tirada. Em 1789 EC os revoltosos franceses tomaram a
Bastilha, inspirados por três princípios universais; Liberdade, Igualdade e
Fraternidade (Liberté, Egalité, Fraternité); que até hoje inflamam os corações
de milhões de pessoas através do globo.
Centrada nesses conceitos
comuns a humanidade cresceu e evoluiu, mas muitos fantasmas ainda a assombram,
e impedem que esses princípios sejam consolidados. Especificamente, é absurdo
que religiões tenham tanta influência em questões do estado, e acho desnecessário
dar exemplos de como a influência religiosa sobre o estado já causou sérios
danos no passado.
Eis que surge o conceito de
Estado Laico, a completa separação de credos religiosos de questões de estado.
Criado com o intuito de impedir a opressão de grupos minoritários. Assim, esse
tipo de estado tenta não oprimir, mas garantir a liberdade religiosa e de
expressão, e assegurar os direitos fundamentais de todos os cidadãos, evitando
que qualquer interesse privado (leia-se religião) interfira ou controle
questões políticas.
No Brasil especificamente, é
lamentável que existam representantes no congresso nacional que seguem
exclusivamente os dogmas de sua religião, e apenas tentam fazer prevalecer seus
ideais. Essa prática é grotesca, e devia ser proibida. Não que religiosos não
possam se posicionar politicamente, mas devem fazê-lo enquanto cidadãos, e não
enquanto seguidores de alguma religião.
Religiões no geral ensinam o
preconceito, visto que negam todas outras religiões, e seus seguidores pressupõe
serem mais justos e corretos que aqueles que seguem outro deus. Certamente
essas pessoas não primem pelo pluralismo, base para qualquer estado
verdadeiramente democrático. Um deve respeitar e amar as diferenças que um povo
tem, e não as oprimir e excluir, como se fossem um câncer da sociedade.
Ao analisarmos duas questões
percebesse claramente o quão negativa é a influência religiosa na sociedade: o
aborto e o casamento de homossexuais. Ambas têm sido discutidas pelo
legislativo e judiciário recentemente, e obviamente, sofrendo grandes críticas
das bancadas católica e evangélica (pois é, existem bancadas religiosas). Obviamente
a decisão sobre essas questões em um estado laico e igualitário seriam;
Descriminalizar o aborto (dentre 10 primeiras semanas de gestação, e após um
aconselhamento médico e social da gestante, como ocorre em outros países); e
legalizar o casamento entre pessoas de mesmo sexo. Mas é claro que não foi bem
assim que aconteceu aqui, e, ironicamente, os autointitulados
"pró-vida" e "defensores da família" estão cada vez mais
ávidos em acabar com vidas e famílias que eles sequer conhecem, em defesa da
moral cristã.
As pessoas que levantam
bandeira contra essas causas ignoram (propositalmente ou não) que estas não são
questões morais, de princípios e muito menos espirituais (leia-se religiosas),
e há muito mais nelas do que apenas "certo" e "errado".
Ainda mais profundamente, separar qualquer coisa entre dois extremos é uma ação
extremamente simplista e egoísta, ignorando todas as coisas que estão entre -
implícitas ou não - por exemplo: certo e errado, religioso e ateu, herói e
vilão...
Afinal, estas coisas do meio,
que os fundamentalistas (religiosos) persistentemente ignoram existir,
representam nada mais, nada menos a realidade. Aí entra o estado laico, cuja
função é de considerar tudo que os dois extremos abrangem, ignorando os
princípios individuais de qualquer grupo, majoritário ou minoritário, para
decidir em favor da liberdade, igualdade e da garantia dos direitos
fundamentais de todos. Ficar “na cerca”, se você preferir, e tentar decidir por
aquilo que é mais justo e democrático.
Até que tais decisões sejam
realmente livres de interesses privados, que só existem para se sobrepor sobre
os interesses dos outros, não existirá igualdade ou liberdade pelas quais
muitos morreram, e ainda morrem. Questões de interesse da sociedade não devem
ser postos de lado por dogmas religiosos, ou por ser uma afronta a deus.
É pedir demais que o conceito de liberdade e igualdade contemple a todos? Que de fato vivamos em um estado
democrático? Que deixemos de lado o “senso comum”, a “boa moral” e todos esses
conceitos arcaicos para enfim termos uma sociedade justa, onde se respeitem as
diferenças e se amem os diferentes?
Talvez seja.












