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28.4.12

Um ensaio sobre Laicidade

(Um acompanhamento musical para o post)


 Em 73 AEC, Espártaco se rebelava contra Roma, junto com milhares de outros escravos, procurando reaver a liberdade que lhes fora tirada. Em 1789 EC os revoltosos franceses tomaram a Bastilha, inspirados por três princípios universais; Liberdade, Igualdade e Fraternidade (Liberté, Egalité, Fraternité); que até hoje inflamam os corações de milhões de pessoas através do globo.

 Centrada nesses conceitos comuns a humanidade cresceu e evoluiu, mas muitos fantasmas ainda a assombram, e impedem que esses princípios sejam consolidados. Especificamente, é absurdo que religiões tenham tanta influência em questões do estado, e acho desnecessário dar exemplos de como a influência religiosa sobre o estado já causou sérios danos no passado.

 Eis que surge o conceito de Estado Laico, a completa separação de credos religiosos de questões de estado. Criado com o intuito de impedir a opressão de grupos minoritários. Assim, esse tipo de estado tenta não oprimir, mas garantir a liberdade religiosa e de expressão, e assegurar os direitos fundamentais de todos os cidadãos, evitando que qualquer interesse privado (leia-se religião) interfira ou controle questões políticas.

 No Brasil especificamente, é lamentável que existam representantes no congresso nacional que seguem exclusivamente os dogmas de sua religião, e apenas tentam fazer prevalecer seus ideais. Essa prática é grotesca, e devia ser proibida. Não que religiosos não possam se posicionar politicamente, mas devem fazê-lo enquanto cidadãos, e não enquanto seguidores de alguma religião.

 Religiões no geral ensinam o preconceito, visto que negam todas outras religiões, e seus seguidores pressupõe serem mais justos e corretos que aqueles que seguem outro deus. Certamente essas pessoas não primem pelo pluralismo, base para qualquer estado verdadeiramente democrático. Um deve respeitar e amar as diferenças que um povo tem, e não as oprimir e excluir, como se fossem um câncer da sociedade.

 Ao analisarmos duas questões percebesse claramente o quão negativa é a influência religiosa na sociedade: o aborto e o casamento de homossexuais. Ambas têm sido discutidas pelo legislativo e judiciário recentemente, e obviamente, sofrendo grandes críticas das bancadas católica e evangélica (pois é, existem bancadas religiosas). Obviamente a decisão sobre essas questões em um estado laico e igualitário seriam; Descriminalizar o aborto (dentre 10 primeiras semanas de gestação, e após um aconselhamento médico e social da gestante, como ocorre em outros países); e legalizar o casamento entre pessoas de mesmo sexo. Mas é claro que não foi bem assim que aconteceu aqui, e, ironicamente, os autointitulados "pró-vida" e "defensores da família" estão cada vez mais ávidos em acabar com vidas e famílias que eles sequer conhecem, em defesa da moral cristã.

 As pessoas que levantam bandeira contra essas causas ignoram (propositalmente ou não) que estas não são questões morais, de princípios e muito menos espirituais (leia-se religiosas), e há muito mais nelas do que apenas "certo" e "errado". Ainda mais profundamente, separar qualquer coisa entre dois extremos é uma ação extremamente simplista e egoísta, ignorando todas as coisas que estão entre - implícitas ou não - por exemplo: certo e errado, religioso e ateu, herói e vilão...

 Afinal, estas coisas do meio, que os fundamentalistas (religiosos) persistentemente ignoram existir, representam nada mais, nada menos a realidade. Aí entra o estado laico, cuja função é de considerar tudo que os dois extremos abrangem, ignorando os princípios individuais de qualquer grupo, majoritário ou minoritário, para decidir em favor da liberdade, igualdade e da garantia dos direitos fundamentais de todos. Ficar “na cerca”, se você preferir, e tentar decidir por aquilo que é mais justo e democrático.

 Até que tais decisões sejam realmente livres de interesses privados, que só existem para se sobrepor sobre os interesses dos outros, não existirá igualdade ou liberdade pelas quais muitos morreram, e ainda morrem. Questões de interesse da sociedade não devem ser postos de lado por dogmas religiosos, ou por ser uma afronta a deus. 

 É pedir demais que o conceito de liberdade e igualdade contemple a todos? Que de fato vivamos em um estado democrático? Que deixemos de lado o “senso comum”, a “boa moral” e todos esses conceitos arcaicos para enfim termos uma sociedade justa, onde se respeitem as diferenças e se amem os diferentes?

 Talvez seja.

14.3.12

Kony 2012


 Muita polêmica surgiu em cima da campanha Kony 2012, feita pela Invisible Children, uma ONG que basicamente 'luta' contra a atuação do LRA na África Central. Acredito que todos vocês tenham visto o vídeo, então focarei em explicar os pontos que causaram tantas críticas à campanha.

 Nº1: A Questão do Petróleo

 Ficou óbvio para mim que nada que os EUA façam, em relação à sua política exterior, é simplesmente de bom grado e caridade, porém isso não passa de uma teoria de conspiração. É possível (nós sabemos a verdade) que o governo americano tenha interesse em petróleo, e talvez queira estreitar suas relações com a Uganda após esse achado. Mas, como explicado no vídeo da campanha, o que é proposto não é uma intervenção militar, e sim o envio de tecnologia e pessoal para treinar o exército ugandês. E, de fato, o número de tropas enviadas ao país - aproximadamente 100 - não está nem perto do necessário para que os EUA façam um golpe de estado, ou influenciem as relações com a Uganda militarmente, deixando claro, a meu ver, que esta parte da campanha é não é falha.

   E, mesmo que os EUA tenham (e eles têm) interesse no petróleo, simplesmente ajudar um governo externo, numa causa "menor", não me faz desacreditar na organização de caridade, nem ficar denegrindo os EUA. Citando um dos vloggers que citarei abaixo: “Que bom que existe[sic] interesses em comum o dele escuso, o meu uma questão [...] humanitária”.

  Nº2 Causa "Menor"

 Uganda tem passado por muitos problemas atualmente, a meu ver. O mais recente deles que posso citar é um projeto de lei que, em poucas palavras, ilegaliza a homossexualidade (como se fosse algo a ser ilegalizado...). Existem também muitas críticas ao exército Ugandês, cujos integrantes são acusados de violência e estupro, o que me faz pensar o motivo de a Invisible Children o apoiar tão fielmente. Mas eu não tenho, nem vi provas dessas acusações.

 E o mais importante: Uganda, teoricamente, é um país democrático, porém o presidente, Yoweri Kaguta Museveni, está há mais de 25 anos em seu cargo. Aparentemente ele não o fez ilegalmente, mas, do modo como vejo democracia, 4 anos já são demais, pelo menos isso explica porque o governo americano, em seu longo relacionamento com ditadores, apoia o atual governo Ugandês.

 Balanceando com o que tem dado certo na Uganda, o crescimento e relativa estabilidade econômica, além de um bom combate ao HIV (mesmo em meio a problemas de gerência e guerra civil), também tornam essa crítica incoerente, além de não ter muito a ver com lutar contra o LRA e o abuso de crianças.

Nº3 A Questão Financeira

 É dito que a ONG só dedica aproximadamente 30% de suas arrecadações à ajuda direta para crianças e adolescentes ugandenses, e essa informação está correta. Grande parte dos fundos da organização vai para transporte de seus funcionários, palestras e publicidade, que é mais um meio de eles ganharem o público, e divulgarem sua causa. Inclusive, no site deles estão especificadas todas as finanças desde sua fundação.

  E sobre a avaliação de transparência, em que ela recebeu nota 2 numa escala até 5: isso é triste, mas foi de acordo com um órgão, cujo nome não me lembro, que analisa ONGs em vários âmbitos, e nota geral da Invisible Children foi 4 em 5. Não sei exatamente em que quesito ela perdeu pontos em transparência, mas você, partindo disso, pode avaliar a ONG, até ter certeza da transparência dela, e saber se doará dinheiro ou não. Mas isso não quer dizer que você não precisa/pode saber sobre Kony (e sobre outros “Konys” que existem no mundo), e tentar fazer algo quanto a isso, nem tira o direito deles de também protestar.

 Nº4 Há pessoas passando necessidades aqui (nos EUA, Brasil, etc.).

  Eu não vou tocar nesse assunto; se você acha que não se deve/pode fazer nada quando aos necessitados de outro país porque nós temos problemas aqui, você pode exercer seu direito de opinião. Mas que fique claro: se você não participa de ONGs, ajuda os carentes em sua cidade ou doa dinheiro para alguma caridade, basicamente, se você não faz nada para acabar com os problemas de nosso país, seu argumento é inválido. Fora clicar em compartilhar não vai mudar muito a sua vida, mas pode levar conhecimento a muitas pessoas, que não conheciam Kony, que talvez decidam ajudar, física ou monetariamente. Sei que ativismo virtual não conta pra muita coisa por si só, mas saber e ter pensamento crítico são o primeiro passo para alguém que quer fazer a diferença. Adicionando, como disse o bom Tomishiyo: "criança sofrendo é criança sofrendo e ponto final, não importa se brasileira, se ugandense, se inglesa, se americana...”.

Nº5 O LRA - Exército de Resistência do Senhor (note o "Senhor")

  O vídeo da campanha não deixa claros os objetivos de Kony e do LRA, e para mim isso é um erro crasso. Em 1987 o LRA foi fundado no intuito de "libertar" o povo Acholi, que vive principalmente no norte de Uganda, e de formar uma teocracia democrática, baseada nos dez mandamentos. Entre seus fins estão a restauração de uma democracia multipartidária, o fim da violação dos direitos humanos, a paz na Uganda, dentre muitos outros. Nobres motivos, não acham?

 Errado. É possível notar que esses objetivos não passam de hipocrisia, visto que eles usam como métodos a tortura, o estupro, a mutilação, e o principal nessa discussão, o alistamento de crianças no exército, alienadas para a “causa” desde cedo.

  Especificamente sobre Joseph Kony, ele é um líder que comanda um exército, em nome de Deus, para derrubar o que é em sua visão um governo ruim (Jesus?), um louco no comando de uma força armada, em uma área que já tem problemas tão grandes quanto ele. Na minha visão, o que eu puder fazer para derrubar uma pessoa como ele vale, pois eu não acredito que os fins justificam os meios, e os seus fins também não me agradam.

  Mas da mesma forma, os fins da Invisible Children não justificam os meios, e ela deveria ter dado mais esclarecimentos no vídeo; sobre sua ação como ONG, e os motivos do LRA na Uganda. Apesar disso, é uma causa que deve ser apoiada, pelo mínimo objetivo de conscientizar as pessoas sobre os males do mundo, e o que eles podem fazer quanto a eles.


O que cada um fará quanto a campanha é de cada um, mas espero ter esclarecido alguns pontos que têm sido abordados por aí. Recomendo que vejam os vídeos anotados abaixo para mais informações e opiniões.
   Alguns canais do youtube que valem seguir:
Paulo (Pirulla25) - Não tem um vídeo sobre o tema. 

 Obrigado a todos que me ajudaram a revisar o texto. Qualquer sugestão é bem vinda na seção de comentários abaixo, ou em algum dos meios de contato no menu acima.

11.3.12

Por Devaneios Mais Conscientes



   Sem querer desmerecer os aspectos humorosos e criativos do antigo DMS, mas a atividade semanal de tentar entreter-los e de postar textos, digamos, poéticos, começou a parar de me aprazer tanto como no começo desse blog, que assim como eu, era ainda novo e infantil. Portanto, a partir de hoje começarei a tratar de assuntos mais, pertinentes. Sempre que possível postarei nas quartas e/ou finais de semana; textos sobre os mais diversos assuntos. E peço encarecidamente que vocês me deem suas opiniões e críticas, para que juntos possamos crescer assuntos tão pouco abordados no dia-a-dia.

Vítor V. Moreira

4.11.11

Movimento Acorda Brasil

"As prioridades de qualquer sociedade avançada devem ser, Igualdade, Progresso, Solidariedade, Liberdade(de credo, cultura e expressão), Sustentabilidade e Desenvolvimento, Bem-estar e Felicidade da população. Desses motivadores nascem governos, para organizar e garantir tais ideais. No Artigo 5º da Constituição brasileira, dentre outras coisas, esta escrito: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade".
Assim começou meu texto para o Movimento Acorda Brasil, sobre o evento que estamos organizando para o dia 15 de novembro, eh um fato que a política brasileira não eh la mil maravilhas, mas nós temos a capacidade de mudar essa situação, basta querer. Para mais informa coes entre no Blog do Movimento (também na barra lateral do DMSentido) e junte se ao evento da marcha no Facebook, clicando Aqui

28.4.11

Eh Hora de Fazer a Diferença

Muitos de vocês souberam, ou até participaram do movimento Ficha Limpa, no qual a população se mobilizou para impedir que políticos corruptos sequer pudessem se candidatar, e com essa ação, se provou que se lutarmos por uma causa, juntos, podemos melhorar o país. 
Convoco vocês, meus amigos, conhecidos e leitores, a participar de um movimento ainda mais importante, o #EuVotoDistrital prevê um melhor sistema eleitoral para deputados no Brasil, segue a baixo um vídeo explicativo, com detalhes do projeto:
 
Entre no site (http://www.euvotodistrital.org.br/) e participe dessa campanha, e divulgue o trend #euvotodistrital, 
Ajude agora a construir um país melhor.

#euvotodistrital

17.4.11

As pessoas entendem?

Duas pessoas que discordam; esbravejaram palavras afiadas, argumentos maciços caem despencam sob seus próprios fundamentos, e, em seguida a está discussão apaixonada, sairão indignados, um pra cada lado.

Uma pessoa parcial, e outra não; discutiram, aquela que não eh, tentará mostrar a outra as falhas que ela instintivamente se nega a ver, mas essa, com os olhos manchados por seus ideais, não escutará, não importa quão boas e plausíveis sejam as palavras do primeiro,e então sairá com a cabeça erguida, bradando "VITÓRIA", sem perceber que nada disse, nada mudou, e que o primeiro, o verdadeiro virtuoso, teve a humildade de parar de tentar mudar a visão turva do outro, para se preocupar com o que ele realmente acha importante, pois existem outras coisas que devam mudar. E o segundo, apesar de não admitir, nem entende as palavras do primeiro.

Então, duas pessoas 'virtuosas'; irão discutir por horas, apresentarão fatos e teorias, e finalmente chegarão a conclusões e soluções possíveis. Mas como mostrar essas alternativas, se os outros esbravejam, enaltecem sua causa, e não dão ouvidos aos outros, nem mesmo por um segundo, nem para melhorar.

Não se deve olhar o que está bom, o que está bom está bom, deve se preocupar com seus problemas, seus pontos fracos.

20.12.10

Banner do Blog

Após alguns minutos de desenho, uma hora de trabalho e retrabalho no photoshop, estão aí, os primeiros banners do blog DMS


<a href="http://www.dmsentido.blogspot.com"><img src="http://fc04.deviantart.net/fs71/f/2010/354/d/f/blog_banner_by_vvazm-d3596zl.png" border="0" width="135" height="69" /></a>
 
<a href="http://www.dmsentido.blogspot.com"><img src="http://fc01.deviantart.net/fs70/f/2010/354/b/e/blog_banner_2_by_vvazm-d3597ut.png" border="0" width="135" height="69" /></a>

Copie os códigos e divulgue; Faça um menino feliz! :D 

7.12.10

Do Nada

Se não conheço você
Por que penso em ti?
Sendo que nunca te vi.
O que estás a fazer? ...

Para me deixar assim acabado,
Sem saber o que fazer,
Triste e desolado,
Pensando em você.

Nunca vou entender
Porque fez isso comigo
Mas meu coração partido
Irá se refazer

A você não sei dizer
Uma palavra sequer,
Pois basta querer
Para você.

27.11.10

Reflexões de um Nadador - 5

Quando não se sabe o que falar, quando não se sabe o que deveria fazer, quando tudo está aparentemente certo, mas no fundo se sabe que algo tem que ser feito, uma mudança que pode afetar a tudo e a todos, mas não se sabe como faze lo, quando faze lo, e o medo sobe lhe o corpo, e então ficamos todos parados, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer, ninguém quer sair da zona de conforto. O que fazer?

23.11.10

Harmonia Desvirtuada – Jack rock (Típico)

Fazia mais de uma hora que eu estava esperando que eles chegassem, nunca tinha vindo neste lugar antes, e os rostos desconhecidos pareciam fitar o minha alma. A primeira banda já havia feito sua apresentação, não entendo essa música de hoje em dia.

O lugar se chamava “O destemido Lee”, conhecido por ter revelado várias bandas no passado, hoje, estava eu, esperando o show de um grupo chamado “Getaway”, uma referência clara ao passado histórico da cidade, mas o grupo, ao contrário do esperado, não tem sequer uma boa composição.

O guitarrista não toca conforme a música, o baixista só conhece dois acordes, o baterista perde o ritmo o tempo todo, o tecladista nem está tocando! E o vocalista canta tanto quanto meu caçula de três meses.

Meus amigos logo chegaram, nós conversamos, bebemos, ouvimos mais duas bandas, e eu saí, ao som dos meus companheiros elogiando e enaltecendo as grandes apresentações da noite, e como os grupos haviam de se destacar no cenário musical do país.

Ao lado de minha mulher adormecida, imagino se o futuro será assim, se a música se transformará em meramente um apelo comercial, se a juventude crescerá sem conhecer os grandes cantores de outrora, as grandes sinfonias, quando de repente um som me chama a atenção, um barulho agudo e estridente. Vou para a sala para saber a origem do som, e vejo meu filho, no auge de seus cinco anos, tentando tocar minha velha guitarra, ao som de meu vinil favorito. Pelo menos eu tenho esperança, quem sabe o futuro não será tão ruim assim.